Vice-Prefeito Luís Resende recebe a edição 2017 da Medalha "Cruz do Monte"

Leia a íntegra da entrevista realizada pelo jornalista Ademar de Oliveira e publicada na edição 934 (17/11) do jornal Gazeta Montense, pela ocasião do recebimento da comenda
Foto: Ademar de Oliveira/Gazeta Montense Publicado em: 23 de Novembro de 2017. Última Atualização: 23 de Novembro de 2017


"Luís Resende recebe maior comenda do Município

 

De motorista da prefeitura a vice-prefeito e homenageado com a Medalha Cruz do Monte

 

Numa época em que o funcionalismo público é desvalorizado, o homenageado deste ano com a comenda máxima do município é um exemplo de dedicação e paixão por uma carreira no serviço público. Há mais de 30 anos, Luiz Antônio Resende escolheu entre uma carreira promissora numa multinacional e voltar para a sua terra natal como funcionário público. Encarou a segunda alternativa movido por amor à família e investiu seriamente na carreira. Começou como motorista na Prefeitura de Santo Antônio do Monte e hoje, além da cobiçada homenagem, ocupa o penúltimo degrau do poder no município.

 

Ele recebeu a imprensa no gabinete e falou sobre sua carreira e a homenagem entregue na Sessão Magna da Câmara Municipal no dia 14 de novembro deste ano.

 

Gazeta Montense – Você trocou uma carreira promissora numa empresa privada para ocupar um modesto cargo na prefeitura. Como se deu isto?

 

Luís Resende – É emocionante lembrar aquela época desde aqui onde estamos. Eu fui para Belo Horizonte para trabalhar no Banco Noroeste do Estado de São Paulo, mas meu propósito era estudar. Trabalhei algum tempo na agência e consegui passar no concurso da Mendes Júnior, uma cobiçada empresa da época. Trabalhava no Recursos Humanos exatamente no setor do pessoal que ia trabalhar no Iraque e na Mauritânia. Em 1983, minha mãe adoeceu e ficou seis meses internada. Também surgiu a opção de trabalhar no Iraque, pois este era o setor que eu trabalhava. Então eu preferi sair da Mendes Junior e voltar para Santo Antônio do Monte. João Hilarino era prefeito e sabia que eu tinha boa experiência profissional, mas naquele momento não havia um cargo no setor administrativo da Prefeitura. Então ele me ofereceu uma vaga como motorista, que levava os médicos estagiários nas comunidades rurais. Em termos comparativos com os valores de hoje, eu ganhava R$10 mil na Mendes Junior e passei a ganhar cerca de R$950,00 como motorista. Até que surgiu uma vaga e o prefeito me transferiu para o setor de cadastro. Trabalhei com excelentes profissionais na época peguei gosto pelo serviço público. Em 1984, João Hilarino convidou-me para ser tesoureiro da Administração, que tinha status de secretário. O prefeito disse que eu ia trabalhar com Celsinho Mesquita, a quem eu devo muito, pois disse que eu daria conta do cargo. Com 23 anos, cheguei a Secretário da Fazenda do Município e ocupei o cargo até 1992. Em 1993 fui Chefe de Gabinete do então prefeito Dr. Wilmar Filho e logo em seguida, Secretário de Administração. Continuei no cargo durante o governo de Glicério Borges.

 

Para encurtar a história, das secretarias básicas do município, eu só não ocupei o cargo de Secretário da Saúde e Educação. Levei todos os cargos com a máxima seriedade, desde o mais alto escalão do município até a modesta presidência da Praça de Esportes.

 

Gazeta Montense – Para você, qual é a mais importante qualidade de um secretário?

 

Luís Resende – A austeridade, que embora cause certos conflitos, deve ser levada a sério. O secretário deve ter autonomia, mas não pode enganar nem ao povo nem ao prefeito. Não há o tal “jeitinho”: o que pode ser feito, pode. O que não pode, não pode. Isto é complicado e fere sensibilidades quando deixamos claro que a prefeitura não atende a interesses individuais, mas da população.

 

Gazeta Montense – Você também foi vereador. Como foi esta experiência como Legislador?

 

Luis Resende – Foi uma legislatura muito feliz, com excelentes colegas vereadores e como presidente da Câmara, levamos nossa experiência administrativa, conseguindo construir a sede da Câmara Municipal. Hoje, é um prédio que serve não somente ao Poder Legislativo mas também a toda a população, onde são realizadas formaturas, conferências, audiências públicas e várias outras atividades. E com uma vantagem: conseguimos construir o prédio funcional por um preço relativamente baixo. Custou cerca de R$750 mil e ainda devolvemos dinheiro ao município.

 

Gazeta Montense – Nós sabemos que há o administrador maldoso, que faz o ilícito de forma proposital. Mas você concorda que há aqueles prefeitos que dão prejuízo ao município por inexperiência administrativa?

 

Luis Resende – Olha, eu sempre falo que é meu dever retribuir tudo que os prefeitos investiram em mim. Sem nenhuma divergência política, desde João Hilarino, que me deu a primeira oportunidade, Ary Lúcio, Dr. Wilmar em todos os seus mandatos, José Glicério Borges, Leonardo Lacerda Camilo, também em dois mandatos... Todos investiram na minha formação. Eu fiz mais de 200 cursos até hoje e consegui meu curso superior em Administração recentemente. Eu acredito ter sido útil a todos eles, evitando erros, que como você disse, podem ser técnicos e não intencionais. Um dos avanços para melhorar esta autofiscalização foi a Controladoria Interna, sendo que fui o primeiro controlador do município. Pelo nosso pioneirismo, recebemos, inclusive, visitas de outros municípios para ver como isto funcionava.

 

Gazeta Montense – Atualmente você é vice-prefeito e Secretário da Administração e muitos diziam que haveria conflito entre o Luís Resende técnico e o prefeito Dinho do Braz político. Estes conflitos existem?

 

Luís Resende – Eu trabalhei com Recursos Humanos na Mendes Júnior e sei que quando você lida com pessoas, os conflitos são inevitáveis. Mas você precisa aprender a lidar com eles. Há conflito entre eu e o prefeito, eu e funcionários... Eu discordo e discuto muito com o Dinho, mas o mais importante é que mantemos o respeito um pelo outro e isto é essencial para que se chegue a um acordo. O prefeito respeita meu profissionalismo, minha técnica e eu respeito a política, que faz parte do cargo que ele ocupa. E uma prova evidente de que estamos nos entendendo é que esta homenagem, a Medalha Cruz do Monte, é uma decisão do prefeito e ele oferece a quem quiser. E ele ofereceu a mim. Sinceramente, digo ao prefeito que esta medalha não vai ficar pendurada no peito, mas no coração.

 

Gazeta Montense – No próximo ano, você completará 35 anos de carreira no funcionalismo público. Você chega, também, a duas outras marcas importantes: ocupa o penúltimo cargo mais elevado que uma pessoa pode chegar num município: vice-prefeito, e também recebe a homenagem mais importante do município. Claro que são marcos importantes para sua vida pessoal, mas também podemos notar que isto valoriza o servidor público de carreira.

 

Luis Resende – Sem a menor dúvida. O que eu tenho a dizer é que ninguém chega a isto sozinho. Você contribui com seu esforço pessoal, com seu respeito para com aqueles que querem te ensinar um trabalho... Meu primeiro trabalho foi aos 15 anos, quando o Sr. Jaci Araujo me colocou para trabalhar no armazém dele. O primeiro voto de confiança e eu respondi à altura. E assim foi toda a minha vida: invista em mim que eu retribuo. Compartilho com todos os meus chefes, mestres e claro, com os funcionários. Uma administração segue em frente não é por conta da política. Ela tem a sua importância, mas o quem fica são os funcionários. Compartilho com o funcionalismo esta medalha e também algo que nos dá mais alegria: pegamos uma prefeitura com uma dívida enorme, de quase R$3 milhões e hoje, podemos dizer que o município está numa situação que ainda exige esforços, mas além de administrável, teremos algumas vitórias para comemorar neste aniversário da cidade. Isto é mérito de nosso esforço conjunto: secretariado excelente, funcionários dedicados e nós fazemos a nossa parte. Houve momento em que muitas pessoas me procuraram para pedir as contas, pois queriam deixar o serviço público e eu aconselhei a ficar... pois são pessoas excelentes. Também compartilho esta medalha com minha querida família, de quem sempre tive apoio incondicional.

 

Gazeta Montense – Valeu ter trocado o Iraque por Santo Antônio do Monte?

 

Luis Resende – Olha, eu tenho uma grande paixão por esta cidade. Se eu tivesse ido para o Iraque, seguindo na Mendes Júnior, talvez eu estaria melhor financeiramente. Hoje as pessoas sabem o que eu tenho: pouca coisa e as mãos limpas.".

 

 




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