Bens Imateriais Inventariados

Folia de Reis. 2011. Fotografia: Lucas Henrique dos Santos. Publicado em: 27 de Fevereiro de 2014. Última Atualização: 15 de Abril de 2016


Patrimônio Imaterial: São as representações da cultura que, mesmo acontecendo em espaços e lugares, não podem ser tocadas fisicamente, mas sim apreendidas pela capacidade sensorial. São as referências culturais de um grupo social, comunidade, povo ou nação - as práticas, as formas de ver e pensar o mundo, as cerimônias e festas religiosas, as danças, as músicas, as lendas, contos, histórias, brincadeiras, os modos de ser e fazer de um povo, as celebrações, as formas de expressões, os lugares e espaços onde se reproduzem práticas culturais coletivas. (Manual de Educação Patrimonial, IEPHA-MG, 2009). 


Conheça alguns dos bens imateriais de Santo Antônio do Monte que já foram inventariados: Festa do Reinado, Lira Monsenhor Otaviano, Festa de Santo Antônio, Folia de Reis, Festa de São Sebastião. Estão sendo inventariados modos de fazer e mais celebrações que, posteriormente, serão postados nesta página.

 

Folia de Reis

O festejo de Folia de Reis foi se difundindo no Brasil ao longo de sua História. É possível apontar alguns elementos da tradição católica, aos quais, assim como em outras manifestações, foram sendo agregados elementos culturais africanos. Assim, é possível afirmar sobre as origens da Folia: 

“Na tradição católica, a passagem bíblica em que Jesus foi visitado por "uns magos", converteu-se na tradicional visitação feita pelos três "Reis Magos", denominados Belchior, Baltazar e Gaspar, os quais passaram a ser referenciados como santos a partir do século VIII.   Fixado o nascimento de Jesus Cristo a 25 de dezembro, adotou-se a data da visitação dos Reis Magos como sendo o dia 6 de janeiro que, em alguns países de origem latina, especialmente aqueles cuja cultura tem origem espanhola, passou a ser a mais importante data comemorativa católica, mais importante, inclusive, que o próprio Natal.

Na cultura tradicional brasileira, os festejos de Natal eram comemorados por grupos que visitavam as casas tocando músicas alegres em louvor aos "Santos Reis" e ao nascimento de Cristo; essas manifestações festivas estendiam-se até a data consagrada aos Reis Magos. 

Trata-se de um tradição originária de Portugal que ganhou força especialmente no século XIX e mantem-se viva em muitas regiões do país, sobretudo nas pequenas cidades dos estados de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Goiás, dentre outros.

Ao que parece a Folia de Reis é uma manifestação que guarda um cunho de tradição e reinvenção, tanto que nas descrições do século XIX, no Nordeste, a festa tinha uma duração muito maior que na atualiade: 

“Na Bahia, os presepes, os bailes de pastoras e os descantes de Reis prolongam-se até ao carnaval. É o tempo das mangas, das músicas e das mulatas! Dessa noite em diante os  cantadores de Reis percorrem a cidade cantando versos de memória e de longa data.” 

Em Santo Antônio do Monte, a Folia de Reis possui como características básicas o fato de ser, uma tradição de fundamentos religiosos, pois a festa tranfoma a casa (espaço da lida cotidiana) em espaço do sagrado.  Uma peculiaridade quanto a celebração na cidade é que, assim como na Festa de Reinado, a Folia possui auto suficiência, e dinâmica interna, ditada pelos seus participantes. Uma explicação para isso é o fato dos participantes da folia serem quase todos os mesmos que organizam o Reinado, reproduzindo, em certa media o metodo de organização e as reuniões que antecedem a festa para seus acertos, a discussão sobre o que deve ser mudado ou melhorado. Contudo, percebe-se menos interesse nas novas gerações em participar do grupo de folia.

Não foi possivel fazer uma datação da festa em Santo Antônio do Monte. Os participantes da festa, cuja média de idade dos mais velhos é de cinquenta a setenta anos, relataram se lembrar da celebração desde a infância. Muitos foram unânimes em afirmar que, atualmente, a realização da folia é mais fácil e a festa está cada dia mais organizada. 

A existência da entidade da folia de reis, com registro em cartório, conta desde os anos 1970 - 80, segundo o atual presidente. Os versos e a forma de cantar são passados em ensaios e dentro do proprio evento, dos mais velhos para os mais novos. Trata-se de uma tradição eminentemente oral. Até a decada de 1980 não são encontrados muitos registros audio-visuais da festa. O que foi sendo facilitado pelo advento de câmeras fotográficas e filmadoras cada vez mais acessíveis. Um acervo considerável encontra-se em poder da entidade, que registra principalmente os festejos da década de 1980 em diante. 

Enfim, a Folia de Reis de Santo Antônio do Monte constitui uma expressão viva das tradições de cunho português no município. Trata-se de uma forma cultural que, como em muitas outras, se formou com base em elementos culturais vindos de um passado de catolicismo. A Folia de Reis Divina Luz Santo Antonio do Monte possui particularidades que a identificam como manifestação cultural local. Que busca a todo momento o contato com outras celebrações (pois a Folia se apresenta em outras localidade) mas conserva a particularidade de caracterizar-se sua identidade estreitamente ligada ao município e ao Centro Oeste de Minas Gerais. Está estreitamente ligada à formação de identidade da população.

A festa se processa com a visita à diversas casas, onde os proprietários preparam as refeições para os foliões e também outros visitantes que acompanham a festa e vem para rezar em conjunto. 

Os foliões são recebidos na entrada da casa pelos proprietários, primeiro a portadora da bandeira que a entrega à dona da casa. Em seguida, os foliões já entram cantando e são feitas as orações frente ao presépio ou pequeno altar improvisado. O palhaço brinca e diverte especialmente as crianças. No momento que antecede a refeição é feita uma oração da qual participa: proprietários, foliões e visitantes. É possível identificar que a comida, assim como no Reinado, deve ser “forte”, dando sustentação para os foliões e participantes. Geralmente são preparados pratos da comida mineira: carne de porco, feijão, arroz branco, angu, couve, etc.

No jantar, o momento de devoção ao redor da mesa farta envolve a “consagração da cachaça” que, após as orações é servida com fartura aos foliões e demais participantes.Assim como no Reinado, isso confere ao ato da refeição em conjunto um caráter sagrado. E este se mistura aos valores profanos com bastante naturalidade. Após o jantar do último dia, denominado “Chegada da Folia”, geralmente há danças e folguedos.

Para a  realização da festa  feitas várias reuniões entre o grupo e com os proprietários que receberão a folia. Os principais instrumentos usados em são o cavaquinho, violão, sanfona e pandeiro. Remanescentes das tradições portuguesa e africana. 

Os componentes da folia se esmeram para que a celebração corra de forma harmoniosa e correta. Percebe-se nas feições, a fé estampada evidenciando a crença de que estão lidando com o sagrado. 

A presidência da Folia  desenvolve o trabalho de propiciar a estrutura que possibilita a festividade e se preocupa ainda em registrar, através de filmagens e fotografias, o máximo possível de eventos. Os cantos são de cunho tradicional ou outros compostos pelo mestre. Na Folia de Reis de Santo Antõnio do Monte o Sr. “João Musgueiro” se esmerou em fazer versos, muitos sendo interpretações dele tiradas do Novo Testamento. 
 

Em cada local do Brasil a festa adquire uma conotação diferenciada.  Em Santo Antônio do Monte foram verificados, entre outros, os seguintes personagens componentes da celebração: 

O Mestre: maior autoridade, responsável pela cantoria, pelos versos cantados de memória ou de improviso. Neste ano de 2007, o mestre da Folia foi o Sr João Musgueiro. 

Contra-mestre: Posição imediatamente inferior à do Mestre é o encarregado de completar a cantoria. Também em 2007 pudemos identificar como contra-mestre o Sr. Pontinelli. 

Bandeireiro: Bandeirista ou Alferes é o encarregado de levar a Bandeira. Varias pessoas desempenharam essa função durante a festa. 

O Palhaço: Deve proteger o Menino Jesus. O seu jeito alegre e suas vestimentas divertem quem assiste à representação. 

Os Foliões: são os participantes da festa e dão o exemplo grandioso através de sua cantoria de fé. Eles não se afastam da Bandeira e respeitam a sua importância.


Texto: Márcia Bernardes
Informações retiradas do site: www.wikipédia.com. Em setembro  de 2007.  
FILHO, Melo Morais (1844 - 1919) citado em CASCUDO, Luiz da Câmara. Antologia do Folclore brasileiro. Vol 1, São Paulo: Global, 2003. pág. 243. 
Informações orais repassadas por Geraldo Aparecido da Silva e Sr. João Musgueiro em julho de 2007. 

 

Festa de São Sebastião

A Festa de São Sebastião acontece, anualmente, na cidade no domingo mais próximo ao dia 20 de janeiro. A organização dos festejos cabe à Paróquia Municipal que conta com o apoio fundamental de diversos festeiros, nas áreas urbana e rural. Estes atores são encarregados de arrecadar doações a serem leiloadas no encerramento da Festa.  Até a década de 1990,  a Igreja Matriz e as praças e ruas adjacentes constituíam o cenário para o evento.

Nos últimos anos, as celebrações acontecem na Igreja Matriz e no Parque de Exposição Odário Batista de Sousa. Os festeiros, assim como grande parte dos devotos de São Sebastião que participam das celebrações, são fazendeiros e/ou pessoas ligadas às atividades agropecuárias. Os devotos geralmente  fazem doações como forma de agradecer ou pedir bênçãos ao santo. Percebe-se que os rituais de fé estão entremeados pela diversão proporcionada pelo encontro anual e regada a música sertaneja, farta alimentação e um pouco de bebida. 

21 de janeiro é o “Dia de São Sebastião” considerado mártir e protetor contra pestes e doenças. Nos meses que antecedem a Festa, são nomeados, pela Paróquia, festeiros que percorrem o município arrecadando doações para os leilões. Utilizam uma lista na qual os doadores assinam e relacionam a doação feita.

No dia da comemoração, o momento mais aguardado é o da chegada dos cavaleiros que saem de diversos pontos do município e se encontram defronte à Matriz. A cavalgada, composta por, aproximadamente, 200 cavaleiros, que utilizam vestimentas típicas do meio rural, sai à frente. Em seguida, São Sebastião, cuja imagem faz parte da História religiosa da cidade, é transportado em um andor, na carroceria de uma camionete, especialmente enfeitada para a ocasião com flores e tecidos. Depois, segue a carreata: carros e motos. Na abertura e encerramento da procissão há uma salva de fogos de artifício.

Esta procissão dirige-se ao Parque de Exposições, situado a cerca de  4 quilômetros da Igreja Matriz. Os fiéis, que seguiram a pé, aguardam a chegada de São Sebastião e de seu séquito.

Após a celebração da missa campal, acontece o leilão das doações. São leiloados bezerros, leitões, galinhas e frangos, pernil assado, roscas,  doces diversos, artesanatos, dentre outros. Tudo é arrematado e a renda vai se juntar às doações em dinheiro. A renda é revertida à paróquia e aplicada de acordo com as necessidades.

No parque é montada uma barraca que fornece almoço, preparado por representantes de movimentos religiosos, sendo a renda da mesma acrescentada ao montante arrecadado. Normalmente, os festejos duram até o entardecer.

 

Um pouco de história: 

São Sebastião, Originário de Narbonne e cidadão de Milão, foi um mártir e santo cristão, morto durante a perseguição levada a cabo pelo imperador romano Diocleciano. O seu nome deriva do grego sebastós, que significa divino, venerável (que seguia a beatitude da cidade suprema e da glória altíssima).

De acordo com Actos apócrifos, atribuídos a Santo Ambrósio de Milão, Sebastião era um soldado que se teria alistado no exército romano cerca de 283 (depois da era comum) com a única intenção de afirmar o coração dos cristãos que via enfraquecer diante das torturas. Era querido dos imperadores Diocleciano e Maximiliano, que o queriam sempre próximo, ignorando tratar-se de um cristão, designaram-no capitão da sua guarda pessoal - a Guarda Pretoriana. Cerca de 286, a sua conduta branda para com os prisioneiros cristãos levou o imperador a julgá-lo sumariamente como traidor, tendo ordenado a sua execução por meio de flechas (que se tornaram o seu símbolo e uma constante na sua iconografia). Porém, Sebastião não faleceu, achandoque ele estava morto, o atiraram no rio e encontrado muito longe de onde foi atirado, foi socorrido por Irene (Santa Irene). Mas depois, tendo sido levado de novo diante de Diocleciano, este ordenou então que Sebastião fosse espancado até a morte... Mas que mesmo assim, ele não teria morrido, propriamente dito... Acabou sendo morto transpassado por uma lança.

Existem inconsistências no relato da vida de São Sebastião: Historicamente, o edito que autorizava a perseguição sistemática dos cristãos pelo Império foi publicado apenas em 303 (depois da era comum), pelo que a data tradicional do martírio de São Sebastião parece um pouco precoce. Lembrando que mitos religiosos não são história própriamente dito. 

O bárbaro método de execução de São Sebastião fez dele um tema recorrente na arte medieval - surgindo geralmente representado como um jovem amarrado a uma estaca e perfurado por várias setas (flexas); de resto, três setas, uma em pala e duas em aspa, atadas por um fio, constituem o seu símbolo heráldico. E é dessa forma que persiste a representação do santo evocando o seu martírio.

Tal como São Jorge, Sebastião foi um dos soldados romanos mártires e santos, cujo culto nasceu no século IV e que atingiu o seu auge na Baixa Idade Média, designadamente nos séculos XIV e XV, e tanto na Igreja Católica como na Igreja Ortodoxa. Embora os seus martírios possam provocar algum cepticismo junto dos estudiosos atuais, certos detalhes são consistentes com atitudes de mártires cristãos seus contemporâneos.

No Brasil, o santo é venerado de norte a sul. De acordo com Guilherme de Brito em artigo sobre a vida do santo “os primeiros navegantes que aqui chegaram, invariavelmente traziam uma imagem do Santo, aludindo o jovem rei Sebastião de Portugal, desaparecido na batalha de Alcácer-Quibir. A tradição oral diz que o Santo ajudou Estácio de Sá, fundador de São Sebastião do Rio de Janeiro, a expulsar os franceses, que queriam invadir a cidade e saqueá-la, não livrando, contudo nosso herói fundador, de morrer por uma flecha envenenada.”

Considerando que é visto como o “protetor contra as pestes” é possivel compreender a  presença quase que obrigatória do mártir nas igrejas coloniais, capelas ou pequenos nichos devocionais, a fim de proporcionar ao colono, rebanho e colheita saudáveis nas Minas Setecentistas.

Em Santo Antônio do Monte, a imagem é bastante venerada. Os mais antigos afirmam que a Festa de São Sebastião acontece há várias décadas na cidade. O registro mais antigo sobre a festividade foi encontrado na publicação mensal “A Pátria” no ano de 1930:  “Terá logar a 23 deste mês a benção da imagem de São Sebastião celebrada solenemente por Sua Excia, Revmª. D. Manoel Nunes Coelho, digníssimo Bispo da Diocese Aterradense. Espera-se o comparecimento de todos os fiéis da freguesia às novenas, que foram iniciadas a 14 do corrente, à benção e depois solemnidades. Á noite de 23, haverá fogos de artíficio (castello) na praça Mr. Octaviano.” 

Mesmo sofrendo algumas alterações na sua organização, a Festa permaneceu envolvendo grande número de fiéis em sua organização. Em novembro de 1976, o Pároco Pe. José Nunes avisa na publicação da Paróquia que “procede à escolha e nomeação dos festeiros para o ano de 1977” e informa aos devotos a futura utilização dos recursos angariados com a Festa: 20% destinados às capelas rurais e o restante para a construção do Centro Social Cristão. Em dezembro, divulgou-se a programação destacando a “procissão dos cavaleiros com a veneranda imagem de São Sebastião, transportada em carrinho puxado por cavalo e que sairá do largo da Matriz.” Pela programação, as festas nas capelas antecederiam a celebração da cidade e nestas “constará de Missa acompanhada a cântico de violão, procissão com veneranda imagem de São Sebastião e panegírico do Santo. Após a Missa far-se-ão os leilões de prendas.” Solicita-se que os cavaleiros de cada capela rural se apresentassem uniformizados e destaca que no dia da festa “haverá a venda estampas com a imagem de São Sebastião.”Na publicação seguinte, orienta-se que na  procissão “à frente irão as camionetes, automóveis e motos e logo a seguir, os cavaleiros e carroças, e atrás, a Veneranda Imagem.” Pede-se que “todos enfeitem suas carroças”.

Em fevereiro de 1977, o Pároco relata os festejos acontecidos destacando “a salva de foguetes pela manhã”, a missa festiva e a impossibilidade de se realizar a tão esperada procissão dos cavaleiros devido a uma “chuva diluviana”. Mas destacou que “aquela homenagem prestada pelos cavaleiros, encharcados de água e debaixo de chuva foi uma grande homenagem a seu protetor (?) Deus deve ter aceito este sacrifício com mais amor que a marcha triunfal pelas ruas (?)”

A partir da década de 1980, as festividades passam a se concentrar na zona urbana, mas continuam contando com a participação de um grande número de fiéis.

Pode-se perceber, através dos textos e do evento que os elementos de devoção e fé estão entremeados pelas relações de convivência e a oportunização de arrecadação de recursos para suprir os gastos paroquiais. E a festa, cujas raízes remetem ao nosso processo de colonização, se mantém forte nesta manifestação religiosa que faz parte da tradição santantoniense.


Texto: Márcia Bernardes/2008
Referências bibliográficas: 
A Nossa Cidade. Santo Antônio do Monte, 1976/ 1977. Acervo da Secretaria Municipal de Cultura. 
NUNES. José. História da Paróquia de Santo Antônio do Monte. Santo Antônio do Monte. 1994. Edição do Autor. 
Publicação Mensal: A Pátria. Anno I. num. 46. 16 de fevereiro de 1930. Página 7.
Sites consultados:
 http://br.geocities.com/patrimonioimaterial. Página acessada em janeiro de 2008. 
 http://www.revistamuseu.com.br. Página visitada em 13 de março de 2008.

 

Festa de Santo Antônio

A Festa de Santo Antônio ocorre, anualmente, sob a coordenação da Paróquia de Santo Antônio contando com o apoio de movimentos religiosos. Envolve toda a comunidade católica do município. Os festejos acontecem na Igreja Matriz e na sua praça. Nas ruas que circundam a Praça são montadas barracas que vendem alimentação típica do mês, bebidas além de objetos de devoção e bancas com variados artigos de uso pessoal.

Elias Costa em reportagem, lançada em 2008, sobre a festa informa que “A coordenadora do CPP, Conselho Paroquial de Pastorais e uma das co-realizadoras da festa, Eloísa Neves, disse que o festejo é realizado com apoio da Prefeitura Municipal e incentivo de toda a sociedade local. Supermercados, entidades sociais, fazendeiros, além de sindicatos e órgãos públicos , ajudam com doações e montagem da infra-estrutura da festa. “O objetivo da festa é valorizar a população local e, em especial, o nosso santo protetor, Santo Antônio. É a ele a nossa fé, o nosso agradecimento. Graças a Deus todos os anos a população ajuda na realização deste evento e o resultado é uma comunidade mais segura, firme e convicta de seus valores”, afirmou Eloísa em tom de fé e louvor. Assim como Eloísa, a cidade se orgulha de realizar a festa. Segundo ela,  “são pessoas que têm prazer e orgulho em preparar aperitivos e comidas, como caldos de feijão e canjica, para serem vendidos aos fiéis e participantes da festa. Ressaltando que o dinheiro arrecadado é empregado em ações sócias e de bem-estar local.”

O evento inicia-se no dia 1º de junho e sua culminância se dá, com maior fervor, no Dia do Santo, 13 de junho. No dia 1º há o levantamento do Mastro de Santo Antônio na Praça da Matriz, contando com a participação de grande número de fiéis e a participação de congadas e da Lira Monsenhor Otaviano. Em seguida, acontece a Procissão saindo da casa de um festeiro até a Igreja Matriz. Nesta data, acontece também o início da Trezena de Santo Antônio nas comunidades paroquiais, ou seja, treze dias de orações destinadas ao protetor da cidade. Neste período acontecem também as barraquinhas na Praça da Matriz com canjica, caldos e quentão. Normalmente, as escolas e movimentos da igreja apresentam quadrilhas. 

No dia 13, há a celebração de três missas festivas, sendo que em todas acontece a distribuição do pãozinho de Santo Antônio. Os devotos acreditam que o “pãozinho” possui poder curativo e de proteção. A tradição diz que o pãozinho deve ser guardado dentro de uma lata de mantimento, para a garantia de abundância o ano todo.

Há também a visitação às relíquias durante todo o dia, bem como a entrega das fitas aos novos membros da Pia União. Os festejos são encerrados com a Procissão Solene após a missa das 19:00 e com a palmeação da imagem de Santo Antônio (equivalente à Coroação). 

Nos finais de semana e, especialmente, no encerramento das festividades são feitos espetáculos pirotécnicos que impressionam pela riqueza de cores e formas, confirmando a vocação do município na arte de produzir fogos.

A imagem de Santo Antônio, de acordo com a tradição oral, foi trazida pelo fundador da primeira capela que teria dado origem ao povoado. Padre José Nunes conta que “ a imagem de Santo Antônio de Lisboa, em madeira, com resplendor de prata, foi trazida de Lisboa pelo proprietário destas terras, construtor da primeira capela por aqui existente, dedicada ao santo de sua devoção: Santo Antônio.”

Não se pode precisar quando foi erguida a Capela do Alto Santo Antônio do Monte, citada na doação da Sesmaria de 1758. Mas Maria de Araújo Lima, viúva de Francisco Fernandes Lopes, em 1782, já casada com José do Couto Pereira, teve que legalizar a doação de terras feita pelo falecido Guarda-Mor Francisco Tavares Oliveira, para entrar na posse da terra.

A partir destes dados é possível presumir que a imagem de Santo Antônio é datável de meados do século XVIII e, desde então, está vinculada ao imaginário religioso dos santantonienses que veneram o santo como padroeiro.

Padre Nunes, antigo pároco missionário português chegou de Moçambique, em 1975, tornando-se pároco local e pesquisador da história da paróquia afirma, em 1994, que “ no passado foi grandiosa a Festa de Santo Antônio. Padroeiro da nossa cidade. Depois quase morreu. Quando cheguei a esta cidade, quase nada se fazia em memória do Santo Patrono. Agora é a grande festa, a maior festa de nossa cidade, sobretudo, depois que o Prefeito Getúlio Batista de Oliveira decretou feriado o dia 13 de junho. Neste dia, toda a cidade se movimenta. Geralmente, conta-se neste dia com a presença do Prelado.”

Pode-se afirmar que desde então a Festa não apenas tem se mantido como conquista, a cada ano, mais participantes. A chegada das relíquias de Santo Antônio vindas diretamente de Pádua, em 2000, propiciou o fortalecimento da fé entre os devotos do Santo. Dentre eles, um grupo liderado por Sônia Veneroso e Marli Eugênia da Silva, trabalhou para reativar a Irmandade da Pia União de Santo Antônio que teve as suas atividades interrompidas em 1972. Dezenas de pessoas têm aderido ao grupo que reverencia ao santo protetor da cidade. Organizam missas, terços e reuniões de louvor, sendo que novos membros são sagrados no dia 13 de junho.

Dentre os devotos da comunidade santantoniense, há muitos que se vêem seduzidos pelas barraquinhas que oportunizam o convívio social regado a comidas típicas do mês de junho, bebida e músicas sertanejas. A comilança, a dança, a vinculação entre o espaço da igreja e da rua evidenciam a herança das práticas religiosas do período colonial.  Conforme afirmava Gilberto Freire “o período colonial impregnou na alma do brasileiro certos aspectos medievais do catolicismo- procissões, festas, danças etc. -, o que implicaria falar em um tipo de religião de reminiscências fálicas e animistas, um “cristianismo lírico”, com os “santos” quase descendo dos altares para dançar com o povo nos dias de festa.”

No espaço-tempo da festa acontecem encontros impossíveis no tempo da realidade do cotidiano: o céu encontra a terra; o religioso o profano; o permitido o proibido. Pode-se perceber como é ser e crer à brasileira. No espaço da transgressão da festa permite-se o encontro de mundos antagônicos. 

Atualmente, a Festa de Santo Antônio destaca-se no calendário paroquial e agrega um grande número de fiéis, organizadores e constitui também uma forma de arrecadação de recursos para a Paróquia e uma oportunidade de fomento ao turismo.

Segundo o texto postado no site do jornal “Partilhando” da Paróquia de Santo Antônio do Monte (2008), “(...)As celebrações Eucarísticas têm seu ponto forte na participação de leigos e leigas de nossa comunidade paroquial fazendo suas reflexões com temas pertinentes a vida de Santo Antônio. (...) Antônio, o Santo que torna presente a fraternidade. A prática de Santo Antônio vivendo valores propostos pelo Evangelho. Uma das falas importantes feita por Conceição Santos: “A Santo Antônio foram atribuídas bondade, humildade, caridade, doação, paciência, perseverança e todas estas qualidades se resumem em uma palavra: Amor; porque somente aquele que se enche de amor incondicional, gratuito, é capaz de doar-se com totalidade.A parte da convivência, da dança, da canjica, das barraquinhas com seus atrativos e todo o povo de Deus trabalhando para que a festa se torne mais bonita e participativa. Viva Santo Antônio !!!”

Para alguns fiéis, como a octogenária Geralda Normandia Ferreira, o mês de junho é de alegria e o padroeiro responsável por grandes graças. Ela ressalta que “começou o mês de junho, quando comemoramos os dias dos santos cujas festas são mais animadas, dentre eles Santo Antônio (...). Vanir esteve aqui pedindo minha colaboração para a festa (...). Vou ajudar com 1 kg de amendoim para a canjica. (...) No dia 13 acordei desanimada. A Desi me trouxe um pãozinho de Santo Antônio. Comi um pedacinho e pedi ao Santo para me tirar o mal estar. Graças a Deus e a Santo Antônio, quando acabei de rezar senti-me em paz e agora estou bem.”

Para muitos católicos da cidade, a Festa com todos os seus rituais constituem um momento de exercício da fé e do alcance de graças e bênçãos.

 

Texto: Márcia Bernardes
Referências bibliográficas:
Ficha de Inventário da Festa de Santo Antônio - Pasta IPAC-2009/ Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
FERREIRA, Geralda Normandia- Matando Saudades. Santo Antônio do Monte:Esferográfica, 2005. Pag. 93 a 94. 
MORAES, Dilma - Santo Antônio do Monte: Doces namoradas, políticos famosos. Belo Horizonte: 1983, Edição da autora. 
NUNES, José. História do  Museu Paroquial de Arte Sacra-  Santo Antônio do Monte: 1995. Edição do autor.
NUNES. José. História da Paróquia de Santo Antônio do Monte. Santo Antônio do Monte. 1994. Edição do Autor.
Site consultado: http://jornalpartilhando.blogspot.com/2007/06/vamos-festejar-santo-antnio.html. Acesso em 2008. 

 

Lira Monsenhor Otaviano

A cultura mineira, apesar de muitas vezes observada através da clássica divisão entre a tradição e a modernidade, ou seja, o passado como uma espécie de memória coletiva a ser reverenciada e o presente como em estado permanente de criação e mudança, apresenta-se muito mais dinâmica do que se supõe, pois que seus exemplos, quando olhados atentamente, sempre permitem o contato e o aparecimento de elos de passagem entre o passado e o presente.

Essa relação dinâmica no Estado de Minas Gerais talvez seja melhor representada pelas suas tradicionais bandas de músicas. Nascidas e criadas em núcleos urbanos ou próximas a eles, de acordo com o jornalista e pesquisador Paulo Henrique Coelho, as bandas surgiram como o contraponto das manifestações culturais originárias do meio rural mineiro e, paralelamente, as de pequenos saraus musicais de uma elite fechada, em fins do século XVIII, ganhando forte importância política e sócio-cultural a partir da segunda metade do século XIX. Surgiram a serviço de comunidades organizadas com forte fundo religioso e apareciam no cenário das manifestações cívicas de poderes locais, características conservadas até os dias atuais. Portanto, segundo o jornalista, o compromisso comunitário está presente na raiz fundadora das bandas e com eles os eventos públicos ganham um novo e poderoso ingrediente simbólico, capaz de mobilizar uma parcela significativa da população, bem como despertar esperados sentimentos coletivos. Afirma ainda que a musicalidade das bandas ganhou contornos populares para desembocar como expressão das comunidades em plena praça pública.

Ao longo dos anos, o reconhecimento deste estímulo proporcionado pelas primeiras bandas de música, estimulou o surgimento de novos conjuntos musicais e à medida que as comunidades mineiras iam estratificando-se em torno de interesses e objetivos diferenciados e antagônicos, a concorrência entre os conjuntos, novos e antigos, foi se estabelecendo sob as mais diversas denominações, Corporações, Sociedade, União, Lira, etc.

Na cidade de Santo Antônio do Monte,  no início do século XX, havia duas bandas no município: a “Cambraia”, dirigida por Antônio dos Santos Ferreira, e a banda “Baeta”, dirigida por Gabriel Batista Leite. Estes dois regentes eram, respectivamente, os avós materno e paterno do músico Avelino Batista Leite.

Tais bandas viviam em constante rivalidade. Ensaiavam às escondidas para as apresentações dominicais. No repertório de ambas ouviam-se valsas e dobrados, que encantavam a todos. Os músicos tinham pouco conhecimento teórico musical, tocando “mais de ouvido”.

Em 1909, chega à cidade o professor Miguel Eugênio de Campos. Homem simples e muito culto, iria revolucionar toda a história musical da cidade. Em 1916, o professor Campos, contando com o apoio de Dr. Argemiro Itajubá, um pernambucano que no município viveu por muitos anos, atuando como advogado, promotor e Juiz Municipal, fundou a “Sociedade Santa Cecilla”, aglutinado os membos das duas bandas citadas anteriormente. O Dr. Itajubá, como era conhecido, foi presidente dessa entidade destinada a promover o aperfeiçoamento da Banda Santa Cecília local e a organização de uma orquestra. Os músicos passaram a ter aulas de teoria musical. A Banda passou a ser regida por Américo Emídio da Silva e a orquestra criada, pelo professor e maestro Miguel Eugênio de Campos. Os ensaios da orquestra eram feitos na Casa do Teatro, local onde hoje está o edifício Greenville. Esta orquestra, que nesta época fazia grande sucesso em todo o centro-oeste mineiro, dissolveu-se, devido às mudanças de Santo Antônio do Monte de muitos músicos e também pela rígida disciplina imposta pelo Dr. Itajubá em relação aos ensaios, vista como necessária.

A Banda Santa Cecília continuou. Quando foi construído o jardim da Praça da Matriz, no centro da cidade, a Banda se exibia aos domingos, “no aconchegante coreto”. A população nunca deixava de prestigiar as retretas na Praça. Para a sua manutenção, num determinado momento de sua história, a Banda passou a receber, através da Câmara Municipal, uma subvenção anual de 720$000 (setecentos e vinte mil contos de réis), entregue diretamente ao professor Miguel Eugênio de Campos. Esta ajuda financeira foi possível graças à condição aceita pelo dirigente em admitir, em suas aulas, oito alunos carentes para receberem ensino gratuito. Porém, no inicio muitas pessoas acorrem pressurosas para, depois, cederem ao desinteresse. Acrescenta que, assim, a Banda Santa Cecília teve momentos de glória e de decadência. Soma-se a isto os problemas de saúde sofridos pelo professor Campos, tendo que se mudar para Belo Horizonte. Mas o povo queria ver a Banda nas ruas, nas praças, “abrilhantando as festividades, espalhando alegria, contagiando a todos com seus ritmos” . Pode-se adiantar que foi somente graças aos esforços de alguns poucos músicos que ela perdurou até os dias atuais.

Em 1924, a Banda Santa Cecília esteve sob a regência de Américo Emídio da Silva que, em 1927, a transferiu para o músico Avelino Batista Leite. Neste ano, a Banda foi renomeada para “Lira Municipal”, com vinte componentes, quatro dos quais eram pré-adolescentes. Nesta época, o regente Avelino Leite escreveu seu primeiro dobrado, intitulado de “Miguel Campos”, uma homenagem a seu professor de primeiras tetras e de música. Posteriormente, com a morte do vigário Monsenhor Otaviano José de Araújo, o “anjo tutelar de Santo Antônio do Monte”, em 1928, a “Lira Municipal” foi novamente renomeada para “Lira Monsenhor Otaviano”, nome que permanece atualmente.

Em 1978, a Lira Monsenhor Otaviano foi reorganizada, havendo grande participação popular. Através de campanhas, parte da população santantoniense contribuiu financeiramente para a compra de diversos instrumentos musicais, dando início a um novo tempo de sucesso e de grandes apresentações da banda do município. O maestro Avelino Leite ficou à frente da corporação até 02 de julho de 1988, quando se afastou por motivo de doença. Em seu lugar, assumiu o comando da Lira o Sr. Luiz Afonso Martuchelli, conhecido como “Dino Martuchelli” 

Além de Avelino Batista Leite e de Luiz Afonso Martuchelli, a Lira Monsehor Otaviano teve como maestros os irmãos, grandes músicos e instrumentistas, Teodosino Dias das Mercês e Santos Dias Mercês, já falecidos, e Marinho Araújo, todos nascidos em Santo Antônio do Monte. Vindos de outras cidades, os maestros que regeram a banda foram David Ferreira Azevedo Filho, José Afonso da Silva e José Adelson da Silva. O atual maestro é filho da terra, chamado Otaviano José Coimbra, de família de músicos e vida dedicada à arte.

Nos detendo novamente aos músicos da Lira Monsenhor Otaviano, ao longo de sua história cerca de cem instrumentistas já integraram a banda, muitos já falecidos. Atualmente, a Lira é composta por 21 (vinte e um) músicos, que tocam 15 (quinze) instrumentos, divididos entre instrumentos de sopro e percussão. Tem a banda na pessoa do Sr. Luiz Afonso Martuchelli o seu integrante mais antigo, com 66 anos de atividade, e nos jovens Ana Luisa, Carla Carolina e Thiago Oliveira os músicos mais jovens, todos com 15 anos de idade.

A Lira Monsenhor Otaviano é uma referência significativa da cultura de Santo Antônio do Monte e precisa do apoio e do incentivo de sua população para continuar a trabalhar na construção de um ambiente social mais unido e próspero, demonstrado pela perseverança e união dos seus integrantes e, sobretudo, pela emoção repassada aos ouvintes de suas melodias em momentos de festas religiosas e cívicas, prestação de homenagens e de lazer.

 

Texto: Márcia Bernardes

Referências Bibliográficas:
EXPEDIENTE: Programa de apoio às bandas de música civis do Estado de Minas Gerais. Belo Horizonte: Secretaria de Estado da Cultura. Dezembro de 1996.
Lira Monsenhor Otaviano. Locais que já foram sede da banda de música. Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Monte, novembro de 2009. 01f. Reimpressão.
Lira Monsenhor Otaviano. Tipos de instrumentos usados. Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Monte, novembro de 2009. 01f. Reimpressão.
Lira Monsenhor Otaviano. Relação dos músicos com seus aniversários. Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Monte, novembro de 2009. 02f. Reimpressão.
 Lira Monsenhor Otaviano. Relação dos ex-músicos e ex-maestros. Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Monte, novembro de 2009. 02f. Reimpressão.
Lira Monsenhor Otaviano. Relação dos músicos já falecidos. Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Monte, novembro de 2009. 02f. Reimpressão.
MORAES, Dilma. Santo Antônio do Monte, Doces namoradas políticos famosos. Belo Horizonte, 1983. Edição da Autora.

 

Sites consultados:
http://riff.valinor.com.br/?p=470>. Acessado em: 06 de janeiro de 2010.
http://www.circuitodebandasdemusica.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=12&Itemid=26 >. Acessado em: 06 de janeiro de 2010.
http://www.cultura.mg.gov.br/?task=interna&sec=9&cat=75>. Acessado em: 06 de janeiro de 2010.
http://www.samonte.mg.gov.br/subarea.php?subarea=16>. Acessado em: 06 de janeiro de 2010.

 

Fonte oral:
Luiz Afonso Martuchelli.. Entrevista concedida em: 08 de janeiro de 2010.


 

Festa do Reinado 

O Reinado é uma das heranças culturais do negro africano.  A festa é marcada por uma grande quantidade de acontecimentos em atitude de respeito, agradecimento e devoção à Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia. São diversos rituais que acontecem nas ruas, praças, em frente às casas, nos altares, em torno da mesa de refeições e nas Igrejas. Dentre eles, se destacam o Levantamento dos Mastros, a Missa Conga, a visita aos festeiros, a entrega das coroas, o descimento das bandeiras e, sobretudo, a alegria e a beleza dos diversos cortes que percorrem, dançando sob o ritmo dos instrumentos de percussão e corda várias ruas da cidade. 

A festa é a representação de uma nação e possui diversos participantes com papéis sociais bem definidos que compõem um “Estado”. São eles, o soldado de linha que bate pandeiro e caixa; o major que coordena a congada na rua e as visitas; os capitães que ensaiam e entoam os cânticos; os comandantes, coronéis e generais responsáveis pela disciplina, organização e movimentação dos cortes; os mordomos, responsáveis em guardar as estampas dos santos padroeiros; os reis festeiros que proporcionam as refeições para os participantes; os reis perpétuos que representam a autoridade dos senhores brancos dentro da nação e os reis congos que representam os reis negros. 

Em Santo Antônio do Monte, a Irmandade dos Devotos de Nossa Senhora do Rosário é a responsável pela realização da Festa de Reinado, bem como pela sua continuidade. No decorrer do tempo a  festa tem conseguido mais adeptos  e torna-se cada vez mais heterogênea com a presença de crianças, jovens, adultos, idosos, homens, mulheres, negros, brancos, ricos e pobres que mantêm viva essa prática cultural. 

Você pode conhecer mais sobre a festa do Reinado em nossa cidade clicando sobre o link Ficha de Inventário do Reinado.

 

Ficha de Inventário do Reinado

 




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